O fragmento do texto que será usado
para o projeto de cena, será o trecho entre o momento em que Édipo comenta com
o Corifeu sobre ter a aceitado o conselho de Creonte para buscar ajuda com o
sábio Tirésias, até o momento em que sua mulher comenta sobre a profecia que
Laio possuía e o destino que ele deu a seu primeiro filho.
(As
luzes seascendem determinado o início da cena. Mostra-se a frente do palácio de
Édipo, em Tebas. Édipo e o Corifeu estão em frente ao palácio.)
CORIFEU - Eu te falarei, ó
rei, conforme determinas com tuas tremendas maldições.
Nenhum de nós foi o matador de Laio; nenhum
de nós sabe indicar quem o tenha sido! Que o deus Apolo, que ordenou essa
pesquisa, possa revelar-nos quem teria, há tanto tempo já, cometido esse
horrendo crime! Nova idéia proporei, além da que já disse.
ÉDIPO - E, se tens uma
terceira, fala! Não deixes de a formular!
CORIFEU
- Conheço
alguém que, quase tanto como Apolo, sabe dosmistérios profundos! É Tirésias. Se
o interrogarmos, ó príncipe, elenos dirá claramente o que se passou.
ÉDIPO -
Não
esqueci esse recurso; a conselho de Creonte mandei doisemissários procurá-lo.
Admira-me que ainda não tenham chegado.
Entra TIRÉSIAS, velho e cego
ÉDIPO - Ó Tirésias, que conheceis todas as coisas, tudo o que se possa averiguar, e o que deve permanecer sob mistério; os signos do céu e os da terra... Embora não vejas, tu sabes do mal que a cidade sofre; para defendê-la, para salvá-la, só a ti podemos recorrer, ó Rei!" Apolo, conforme deves ter sabido por meus emissários, declarou a nossos mensageiros que só nos libertaremos do flagelo que nos maltrata se os assassinos de Laio forem descobertos nesta cidade, e mortos ou desterrados.
ÉDIPO - Ó Tirésias, que conheceis todas as coisas, tudo o que se possa averiguar, e o que deve permanecer sob mistério; os signos do céu e os da terra... Embora não vejas, tu sabes do mal que a cidade sofre; para defendê-la, para salvá-la, só a ti podemos recorrer, ó Rei!" Apolo, conforme deves ter sabido por meus emissários, declarou a nossos mensageiros que só nos libertaremos do flagelo que nos maltrata se os assassinos de Laio forem descobertos nesta cidade, e mortos ou desterrados.
Por tua vez, Tirésias, não nos recuses
as revelações oraculares dos pássaros, nem quaisquer outros recursos de tua
arte divinatória; salva a cidade, salva a ti próprio, a mim, e a todos,
eliminando esse estigma que provém do homicídio.
TIRÉSIAS
- Ordena
que eu seja reconduzido a minha casa, ó rei. Se me atenderes, melhor será para
ti, e para mim.
ÉDIPO -
Tais
palavras, de tua parte, não são razoáveis, nem amistosas paracom a cidade que
te mantém, visto que lhe recusas a revelação que tesolicita.
Pelos deuses! Visto que sabes, não nos
ocultes a verdade!
Todos nós, todos nós, de joelhos, te
rogamos!
TIRÉSIAS
- Vós
delirais, sem dúvida! Eu causaria a minha desgraça, e a tua!
ÉDIPO -
Que
dizes?!... Conhecendo a verdade, não falarás? Por acaso tens o intuito de nos
trair, causando a perda da cidade?
TIRÉSIAS
- Jamais
causarei tamanha dor a ti, nem a mim! Por que meinterrogas em vão? De mim nada
ouvirás!
ÉDIPO -
Pois
quê! Ó tu, o mais celerado de todos os homens! Tuirritarias um coração de
pedra! E continuarás assim, inflexível einabalável?
TIRESIAS - O que tem de
acontecer, acontecerá, embora eu guarde silêncio! ...
ÉDIPO -
Pois
bem! Mesmo irritado, como estou, nada ocultarei do que penso! Sabe, pois, que,
em minha opinião, tu foste cúmplice no crime, talvez tenhas sido o mandante,
embora não o tendo cometido por tuas mãos. Se não fosse cego, a ti, somente, eu
acusaria como autor do crime.
TIRÉSIAS
- Será
verdade? Pois EU! EU é que te ordeno que obedeças ao decretoque tu mesmo
baixaste, e que, a partir deste momento, não dirijas apalavra a nenhum destes
homens, nem a mim, porque o ímpio que estáprofanando a cidade ÉS TU!
ÉDIPO -
Quê?
Tu te atreves, com essa impudência, a articular semelhante acusação, e pensas,
que sairás daqui impune?
TIRESIAS
- Afirmo
QUE ÉS TU o assassino que procuras!
ÉDIPO -
Oh!
Não repetirás impunemente tão ultrajante acusação!
TIRÉSIAS
- Pois
eu asseguro que te uniste, criminosamente, sem o saber,àqueles que te são mais
caros; e que não sabes ainda a que desgraça telançaste!
ÉDIPO - Crês tu que assim continuarás a falar, sem conseqüências?
ÉDIPO - Crês tu que assim continuarás a falar, sem conseqüências?
TIRÉSIAS - E és tu, ó rei infeliz! - que me fazes agora
esta censura... mas umdia virá, muito breve, em que todos, sem exceção, pior
acusações
hão de formular contra ti!
ÉDIPO - Isso tudo foi
invenção tua, ou de Creonte?
TIRÉSIAS - Creonte em nada concorreu para teu mal; tu
somente és teu próprioinimigo.
ÉDIPO - Creonte, meu amigo fiel, amigo desde os
primeiros dias, se insinua sub-repticiamente sob mim, e tenta derrubar-me,
subornando este feiticeiro, este pérfido charlatão que nada mais quer, senão
dinheiro, e que em sua arte é cego. Porque, vejamos: dize tu, Tirésias! Quando
te revelaste um adivinho clarividente? Por que, quando a Esfinge propunha aqui
seus enigmas, não sugeriste aos tebanos uma só palavra em prol da salvação da
cidade? A solução do problema não devia caber a qualquer um; tomava-se
necessária a arte divinatória. Tu provaste, então, que não sabias interpretar
os pássaros, nem os deuses. Foi em tais condições que eu aqui vim ter; eu, que
de nada sabia; eu, Édipo, impus silêncio à terrível Esfinge; e não foram as
aves, mas o raciocínio o que me deu a solução. Tentas agora afastar-me do
poder, na esperança de te sentares junto ao trono de Creonte! ...
CORIFEU - A nosso ver, ó Rei, tanto tuas palavras, como
as de Tirésias, foraminspiradas pela cólera. Ora, não se trata agora de julgar
esses debates; oque urge é dar cumprimento ao oráculo de Apoio.
TIRÉSIAS - Se tu possuis o régio poder, ó Édipo, eu posso falar-te de igual paraigual! Tenho esse direito! Não sou teu subordinado, mas sim de Apoio;tampouco jamais seria um cliente de Creonte. Digo-te, pois, já queofendeste minha cegueira, - que tu tens os olhos abertos ã luz, mas nãoenxergas teus males, ignorando quem és, o lugar onde estás, e quem éaquela com quem vives. Sabes tu, por acaso, de quem és filho? Um dia virá, em que serás expulso desta cidade pelas maldições maternas e paternas.
TIRÉSIAS - Se tu possuis o régio poder, ó Édipo, eu posso falar-te de igual paraigual! Tenho esse direito! Não sou teu subordinado, mas sim de Apoio;tampouco jamais seria um cliente de Creonte. Digo-te, pois, já queofendeste minha cegueira, - que tu tens os olhos abertos ã luz, mas nãoenxergas teus males, ignorando quem és, o lugar onde estás, e quem éaquela com quem vives. Sabes tu, por acaso, de quem és filho? Um dia virá, em que serás expulso desta cidade pelas maldições maternas e paternas.
ÉDIPO -
Quem
poderá suportar palavras tais? Vai-te daqui, miserável!
Retira-te, e não voltes mais!
TIRÉSIAS
- Vou-me
embora, sim; mas antes quero dizer o que me trouxeaqui, sem temer tua cólera,
porque não me podes fazer mal. Afirmo-te,pois: o homem que procuras há tanto
tempo por meio de ameaçadorasproclamações, sobre a morte de Laio, ESTA AQUI!
Passa porestrangeiro domiciliado, mas logo se verá que é tebano de nascimento,e
ele não se alegrará com essa descoberta. Ver-se-á, também, que ele é, aomesmo
tempo, irmão e pai de seus filhos, e filho e esposo da mulherque lhe deu a
vida; e que profanou o leito de seu pai, aquem matara.
(Sai TIRÉSIAS)
ÉDIPO entra no palácio
Entra CREONTE, possuído de forte irritação
CREONTE
- Cidadãos!
Acabo de saber que Édipo formulou contra mim gravíssimasacusações, que eu não
posso admitir! Aqui estou para me defender!
CORIFEU
- Talvez
essa acusação injuriosa lhe tenha sido ditada pela cóleramomentânea, e não pela
reflexão.
CREONTE
- Quem
teria insinuado que por meu conselho o adivinho proferiu aquelas mentiras?
CORIFEU - Realmente, ele assim declarou, mas não sei com que fundamento. Entra ÉDIPO, bruscamente
CORIFEU - Realmente, ele assim declarou, mas não sei com que fundamento. Entra ÉDIPO, bruscamente
ÉDIPO -
Que
vieste fazer aqui? Tens coragem de vir a minha casa, tu, queconspiras contra
minha vida, e pretendes arrancar-me o poder?
Vamos! Dize-me, pelos deuses! pensas
tu, por acaso, que eu seja um covarde, ou um demente, para conceberes tais
projetos?
CREONTE
- Sabes
o que importa fazer? Deixa-me responder a tuas palavrasde igual para igual, e
só me julgues depois de me teres ouvido!
ÉDIPO -
Foste
tu, ou não, quem me aconselhou a mandar vir esse famosoprofeta?
CREONTE
- Sim;
e mantenho minha opinião acerca dele.
ÉDIPO -
Há
quanto tempo Laio...
CREONTE - Mas quefez ele? Não compreendo! ...
ÉDIPO -
...Desapareceu,
vítima de um assassino?
CREONTE
- Já
lá se vão muitos anos!
ÉDIPO -
E já
nesse tempo Tirésias exercitava sua ciência?
CREONTE
- Sim;
ele já era, então, sábio e respeitado.
ÉDIPO -
E,
nessa época, disse ele alguma coisa a meu respeito?
CREONTE
- Nunca!
pelo menos em minha presença.
ÉDIPO -
E
vós não fizestes pesquisas a fim de apurar o crime?
CREONTE
- Fizemos,
certamente, mas nada se descobriu.
ÉDIPO - Como se explica,
pois, que esse homem tão hábil, não tivesse dito
então o que diz hoje?
CREONTE
- Não
sei; e, quando desconheço uma coisa, prefiro calar-me!
ÉDIPO -
Tu
não ignoras, no entanto, e deves em plena consciência confessar...
CREONTE
- Que
devo eu confessar? Tudo o que souber, direi!
ÉDIPO -
...Que,
se ele não estivesse de conluio contigo, nunca viria dizer quea morte de Laio
foi crime por mim cometido.
CREONTE
- Que
ele disse, tu bem sabes. Mas também eu tenho o direito de
te dirigir algumas perguntas.
ÉDIPO -
Pois
interroga-me! Tu não me convencerás de que haja sido eu o
assassino.
CREONTE
- Ora
vejamos: tu desposaste minha irmã?
ÉDIPO - É impossível responder negativamente a tal pergunta.
ÉDIPO - É impossível responder negativamente a tal pergunta.
CREONTE
- E
reinas tu neste país com ela, que partilha de teu podersupremo?
ÉDIPO -
Sim;
e tudo o que ela deseja, eu imediatamente executo.
CREONTE
- E
não serei eu igualmente poderoso, quase tanto como vós?
ÉDIPO -
Sim;
e por isso mesmo é que pareces ser um pérfido amigo.
CREONTE
- Não,
se raciocinares como eu. Examina este primeiro ponto:acreditas que alguém
prefira o trono, com seus encargos e perigos,a uma vida tranqüila, se também
desfruta poder idêntico? Porminha parte, ambiciono menos o título de rei, do
que o prestígioreal; e como eu pensam todos quantos saibam limitar
suasambições. Hoje alcanço de ti tudo quanto desejo: e nada tenho atemer... Se
fosse eu o rei, muita coisa, certamente, faria contra aminha vontade... Como,
pois, iria eu pretender a realeza, em trocade um valimento que não me causa a
menor preocupação? Nãome julgo tão insensato que venha a cobiçar o que não seja
paramim, ao mesmo tempo honroso e proveitoso. Atualmente, todosme saúdam, todos
me acolhem com simpatia; os que algopretendem de ti, procuram conseguir minha
intercessão; paramuitos é graças a meu patrocínio que tudo se resolve. Como,
pois,deixar o que tenho, para pleitear o que dizes? Tamanha perfídiaseria
também uma verdadeira tolice! Eis a prova do que afirmo: vai tu mesmo a Delfos
e procura saber se eu não transmiti fielmente a resposta do oráculo. Eis outra
indicação: se tu pro vares que eu estou de concerto com oadivinho,
condenar-me-ás à morte não por um só voto, mas pordois: o teu e o meu.
CORIFEU
- Para
quem, sinceramente, quer evitar a injustiça, ele muito bem te
falou, ó rei. É sempre falível o
julgamento de quem decide sem ponderação!
CREONTE
- Que
pretendes tu, nesse caso? Exilar-me do país?
ÉDIPO -
Não!;tua
morte, e não apenas o desterro o que eu quero.
CREONTE
- Mas...
quando puderes comprovar que eu conspiro contra ti!
Só eu sei o que me convém fazer, no
meu interesse.
Entra JOCASTA
JOCASTA
- Por
que provocastes, infelizes, esse imprudente debate? Nãovos envergonhais em
discutir questões íntimas, no momento emque atroz calamidade cai sobre o país?
Volta a teu palácio, Édipo;e tu, Creonte, a teus aposentos. Não exciteis, com
palavras vãs,uma discórdia funesta.
CREONTE
- Édipo,
teu marido, ó minha irmã, julga acertado tratar-mecruelmente, impondo-me ou o
desterro para longe da pátria, ou amorte.
ÉDIPO -
É
verdade, minha esposa. Acusei-o de conspirar contra a minha
pessoa.
CREONTE
- Que
seja eu desgraçado! Que morra maldito se cometi aperfídia de que me acusas!
JOCASTA - Pelos deuses,
Édipo, - cré no que ele te diz! E crê, não só pelo juramento que proferiu, mas
também em atenção a mim e a todo quantos estão presentes!
ÉDIPO -
Sabeis,
acaso, o que Creonte pretende?
CORIFEU
- Eu
sei!
ÉDIPO -
Explica-te,
pois!
CORIFEU
- Não
acuses por uma vaga suspeita, e não lances à desonra umamigo que se votou, ele
próprio, à eterna maldição!
ÉDIPO -
Que
ele se retire, pois, ainda que disso resulte minha morte, ou meudesterro! Cedo
a vosso pedido - e não ao dele; só o vossome comoveu! Creonte, esteja onde
estiver, ser-me-á sempre odioso!
CREONTE
- Sim!
Eu partirei! Doravante não me verás, nunca mais! Para ostebanos, porém, serei
sempre o mesmo!
(Sai CREONTE)
CORIFEU
- Ó
rainha, por que não conduzes teu marido para o palácio?
JOCASTA - Farei o que pedes,
quando souber o que se passou.
CORIFEU
- Fúteis
palavras provocaram vagas suspeitas;
JOCASTA
- E
as ofensas foram recíprocas?
CORIFEU
- Oh!
Certamente que sim.
ÉDIPO -
Vês
tu a que situação chegamos, apesar de tuas boas intenções? Etudo porque
descuraste de meus interesses, e deixaste diminuir a afeiçãoque tinhas por mim.
JOCASTA
- Mas,
pelos deuses, Édipo, diz-me: por que razão te levaste a tão
forte cólera?
ÉDIPO -
Vou
dizer-te, minha mulher, porque te venero mais do que a todosos tebanos! Foi por
causa de Creonte, e da trama que urdiu contramim. Ele presume que tenha sido eu
o matador de Laio! Ele insinuou isso a um adivinho, um simples impostor,
porquanto ele próprio nada se atreve a afirmar.
JOCASTA
- Ora,
não te preocupes com o que dizes; ouve-me, e fica sabendo quenenhum mortal pode
devassar o futuro. Vou dar-te já a prova do queafirmo. Um oráculo outrora foi
enviado a Laio, não posso dizer se por Apoio em pessoa, mas por seus
sacerdotes, talvez... O destino do reiseria o de morrer vítima do filho que
nascesse de nosso casamento. Noentanto, - todo o mundo sabe e garante, - Laio
pereceu assassinado porsalteadores estrangeiros, numa encruzilhada de três
caminhos. Quantoao filho que tivemos, muitos anos antes, Laio amarrou-lhe
asarticulações dos pés, e ordenou que mãos estranhas o precipitassemnuma
montanha inacessível. Nessa ocasião, Apoio deixou de realizar oque predisse!...
Nem o filho de Laio matou o pai, nem Laio veio amorrer vítima de um filho,
morte horrenda, cuja perspectiva tanto oapavorava! Eis aí como as coisas se
passam, conforme as profecias oraculares! Não te aflijas, pois; o que o deus
julga que deve anunciar, elerevela pessoalmente!
(Luzes se apagam determinando o final da cena.)
Cenografia
A cena se
passa em frente ao palácio, da mesma forma em que acontece no texto original.
Espaço Dramático:
O espaço dramático em todo o decorrer do texto será na entrada do palácio do rei Édipo, com os cidadãos em frente ao altar. Não haverá ambientação em frente do palácio.
O espaço dramático em todo o decorrer do texto será na entrada do palácio do rei Édipo, com os cidadãos em frente ao altar. Não haverá ambientação em frente do palácio.
Espaço Cênico:
O espaço
cênico será a sala da banda, com os atores no palco e o público ficara na área
designada para a plateia. Não haverá interação entre os atores e o público.
Sonoplastia
A cena contara a todo momento com a sonoplastia de som
ambiente vindo da conversa dos cidadãos de Tebas.
Iluminação
A partir do momento em que as luzes se ascendem no início da
cena, elas permaneceram constantes até o fim da cena. Será utilizado as luzes
mantendo o foco nos atores.

