terça-feira, 2 de dezembro de 2014



Texto adaptado

Primeiro ato, cena VI:

(Luzes acendem, mostrando a sala de Dr. Werneck. Dr. Werneck está enchendo um copo de bebida. Presentes também o Dr. Peixoto, a esposa do velho, d. Lígia, e o 2o Grã-fno, Alfredinho. Edgard aparece por fim. Senta-se.)

WERNECK (para Edgard) - Você já sabe de tudo, né?
EDGARD - Sei, sim.
PEIXOTO (interrompendo) - Eu contei tudo pra ele.
WERNECK - Pois bem. Você sabe que ela sofreu um acidente. Assim como um atropelamento, um acidente. E ela é minha filha. Ela é filha do teu patrão. Você entende isso?
EDGARD - Sim, senhor!
WERNECK - É bom, mesmo.
D. LÍGIA - Licença, Heitor. (para Edgard, com ternura) Você é um moço. O que houve com a minha filha foi uma tragédia. Mas te garanto que ela é a menina mais pura. Não merecia ter sido estuprada, havia acabado de chegar do colégio. Posso te garantir, até, que antes do incidente ela não havia sido beijada por nenhum homem!
WERNECK (exasperado) - Lígia, estamos perdendo tempo.
D. LÍGIA - Não havia menina mais virgem!
WERNECK - Minha esposa está certa. Mas vamos falar de negócios. Você, Edgard, trabalha a quantos anos na companhia, mesmo?
EDGARD - Onze anos, senhor.
WERNECK - E começou de baixo... Veio do nada. Qual foi o seu primeiro posto?
EDGARD - Auxiliar de escritório.
WERNECK - Mentira!
2º GRÃ-FINO - Mentira, sim!
D. LÍGIA (repreensiva) - Heitor! O que é isso?
WERNECK - É mentira, sim! Ele começou como faxineiro. Não é mesmo, Peixoto?
PEIXOTO - Como faxineiro, sim.
GRÃ-FINO - Simples e descartável. Um faxineiro.
WERNECK - Faxineiro. Nunca se esqueça, Edgard. Você é um ex-faxineiro.
PEIXOTO - Exatamente.
D. LÍGIA (num apelo) - Heitor, você está humilhando o rapaz! (trêmula, para Edgard) Meu marido gosta de se fingir de mau. Mas é só aparência
PEIXOTO - Fique tranquila, D. Lígia. O Edgard sabe disso!
2º GRÃ-FINO (sarcástico) - O Edgard deve saber das intenções do Doutor.

(Werneck levanta-se e anda de um lado para o outro, empunhando o copo de bebida.)

WERNECK - Ao contrário do que pensa minha esposa, essa não é uma humilhação gratuita. Oras, é importante que você saiba dar valor ao dinheiro, à posição, à classe de minha filha. Irei lhe dar carteirinha de sócio do estádio. Você sabe quanto custa a carteirinha de sócio? Quanto custa um título de sócio do estádio, Peixoto?
PEIXOTO - Dois mil paus.
WERNECK - Pois é. Não achas que dois mil paus é muito para um ex-faxineiro, Alfredinho?
2o GRÃ-FINO - Certamente é muito dinheiro, Doutor.
PEIXOTO - Também penso assim!
D. LÍGIA (atarantada) - Heitor, assim você até ofende.

(Edgard levanta-se)

EDGARD - Posso falar?
WERNECK - Não, sente-se.

(Edgard obedece)

WERNECK - Ainda não acabei. Você vai se casar com a minha filha. Sabes como é... a separação de bens!
EDGARD (para si mesmo) - Se eu me casar.
WERNECK - Não te ouvi.
EDGARD - Disse que concordo com a separação de bens. É justo.
WERNECK (sarcástico) - Deixe de história. Tu não prefere nada!

(Edgard levanta-se novamente)

EDGARD - Mas, senhor!
WERNECK (irritado) - Se senta, rapaz. Mania chata essa de ficar se levantando. A separação de bens não vai te fazer muita diferença, vai ganhar a mesma coisa.
D. LÍGIA (revoltada) -  Heitor, você não está comprando um genro! Não admito que você faça isso com a sua filha caçula. Casamento é outra coisa. É um sacramento.
WERNECK (com humor) - Lígia, por favor, não venha atrapalhar. Seja elegante, oras.
D. LÍGIA - Não sou elegante.
2º GRÃ-FINO - A mulher pode ser elegante, D. Lígia, enquanto o homem não. O homem tem que ser macho!
WERNECK - Isso mesmo, Alfredinho! O homem tem que ser macho! A mulher tem que ser elegante!
D. LÍGIA (aborrecida) - Continue assim e eu me retiro!
WERNECK (divertindo-se com a situação) -  Ora, retire-se então!
D. LÍGIA (para os outros) - Meu marido é bom homem.
WERNECK - Tu me considera um vadio.
D. LÍGIA (ofendida) - Nunca disse isso, Heitor!
WERNECK - Você vive dizendo que eu ronco, que eu isso e que eu aquilo.
D. LÍGIA (desesperada) - Eu vou lá pra dentro. Com licença.

(Sai d. Lígia. pára um momento na porta. Volta-se como se fosse xingar o marido.)

D. LÍGIA (abatida) - Você é bom homem, Heitor.

(Werneck fica pensativo e os outros homens se entreolham enquanto Lígia sai da sala)

WERNECK - Essa minha vida está um caso sério!

(Werneck vira-se para Edgard)

WERNECK - E você? Quase não fala. Você sempre fala pouco por pouco, me deixa chateado. Fala, rapaz!

(Edgard põe-se de pé com firmeza)

EDGARD - Falarei, sim!
WERNECK (exasperado) - Diga, mas sente-se.
EDGARD (aborrecido) - Não me sentarei mais. Escuta aqui. E você também, Peixoto. (para Werneck) Você não é doutor! E não irei me casar com sua filha! Eu saio do emprego, se for necessário. Pode ficar com a minha estabilidade, não ligo. E outra coisa, sou ex-faxineiro sim. Dois mil paus é muito dinheiro, sim. Mas não vou me vender, Dr. Werneck. O senhor é um vadio! Um vadio! 




 Cenografia

            A cena original em que essa adaptação é baseada acontece na sala de Dr. Werneck. A rubrica cênica que indica o início da cena original é:
           
            Primeiro ato, cena VI:

            (Passagem de cena. Sala do Dr. Werneck. Ele, exuberante, barrigudo, está enchendo um copo. Presentes também o Dr. Peixoto e a esposa do velho, d. Lígia. Edgard aparece por fim. Senta-se.)
            (...)

            A cenografia da adaptação do trecho será composta por um sofá e duas cadeiras, uma de cada lado do sofá. Atrás do sofá, um bar com algumas opções de bebidas e copos. Logo a frente do sofá, uma pequena mesa para que apoiem as bebidas caso necessário.   

Espaço dramático

            O espaço dramático do projeto de cena será a sala do palácio de Dr. Werneck. Um sofá, duas cadeiras, uma mesinha e um bar são os móveis responsáveis pela ambientação da sala.

Espaço cênico

            O espaço dramático será montado na sala da banda do IFRN, no caso o espaço cênico, onde os espectadores ficaram na sua área designada a fim de não interagir diretamente com os atores.

Iluminação

            A iluminação será constante e não mudará durante todo o projeto de cena. Ela será iniciada quando os atores já estiverem em suas posições.

Sonoplastia

            A sonoplastia será constante e não mudará durante todo o projeto de cena. Será uma música dos anos 60 ao fundo, a fim de não só não atrapalhar o desenvolvimento da cena para os atores, mas também adicionar à composição aos olhos do espectador. Junto à música, os atores serão responsáveis por realizar alguns ruídos, como tapas e suspiros.

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