Texto
adaptado
Primeiro ato, cena VI:
(Luzes acendem, mostrando a sala
de Dr. Werneck. Dr. Werneck está enchendo um copo de bebida. Presentes também o
Dr. Peixoto, a esposa do velho, d. Lígia, e o 2o Grã-fno,
Alfredinho. Edgard aparece por fim. Senta-se.)
WERNECK (para
Edgard) - Você já sabe de tudo, né?
EDGARD - Sei, sim.
PEIXOTO (interrompendo)
- Eu contei tudo
pra ele.
WERNECK - Pois bem. Você sabe que ela
sofreu um acidente. Assim como um atropelamento, um acidente. E ela é minha
filha. Ela é filha do teu patrão. Você entende isso?
EDGARD - Sim, senhor!
WERNECK - É bom, mesmo.
D. LÍGIA - Licença, Heitor. (para Edgard, com ternura) Você é um
moço. O que houve com a minha filha foi uma tragédia. Mas te garanto que ela é
a menina mais pura. Não merecia ter sido estuprada, havia acabado de chegar do
colégio. Posso te garantir, até, que antes do incidente ela não havia sido
beijada por nenhum homem!
WERNECK
(exasperado) - Lígia, estamos perdendo tempo.
D. LÍGIA - Não havia menina mais virgem!
WERNECK - Minha esposa está certa. Mas
vamos falar de negócios. Você, Edgard, trabalha a quantos anos na companhia,
mesmo?
EDGARD - Onze anos, senhor.
WERNECK - E começou de baixo... Veio do
nada. Qual foi o seu primeiro posto?
EDGARD - Auxiliar de escritório.
WERNECK - Mentira!
2º GRÃ-FINO - Mentira, sim!
D. LÍGIA
(repreensiva) - Heitor! O que é isso?
WERNECK - É mentira, sim! Ele começou como
faxineiro. Não é mesmo, Peixoto?
PEIXOTO - Como faxineiro, sim.
2º GRÃ-FINO - Simples e descartável. Um
faxineiro.
WERNECK - Faxineiro. Nunca se esqueça,
Edgard. Você é um ex-faxineiro.
PEIXOTO - Exatamente.
D. LÍGIA
(num apelo) - Heitor, você está humilhando o
rapaz! (trêmula, para Edgard) Meu
marido gosta de se fingir de mau. Mas é só aparência
PEIXOTO - Fique tranquila, D. Lígia. O
Edgard sabe disso!
2º GRÃ-FINO (sarcástico)
- O Edgard deve
saber das intenções do Doutor.
(Werneck levanta-se e anda de um
lado para o outro, empunhando o copo de bebida.)
WERNECK - Ao contrário do que pensa minha
esposa, essa não é uma humilhação gratuita. Oras, é importante que você saiba
dar valor ao dinheiro, à posição, à classe de minha filha. Irei lhe dar
carteirinha de sócio do estádio. Você sabe quanto custa a carteirinha de sócio?
Quanto custa um título de sócio do estádio, Peixoto?
PEIXOTO - Dois mil paus.
WERNECK - Pois é. Não achas que dois mil
paus é muito para um ex-faxineiro, Alfredinho?
2o GRÃ-FINO - Certamente é muito dinheiro,
Doutor.
PEIXOTO - Também penso assim!
D. LÍGIA
(atarantada) - Heitor, assim você até ofende.
(Edgard levanta-se)
EDGARD - Posso falar?
WERNECK - Não, sente-se.
(Edgard obedece)
WERNECK - Ainda não acabei. Você vai se
casar com a minha filha. Sabes como é... a separação de bens!
EDGARD
(para si mesmo) - Se eu me casar.
WERNECK - Não te ouvi.
EDGARD - Disse que concordo com a
separação de bens. É justo.
WERNECK
(sarcástico) - Deixe de história. Tu não prefere
nada!
(Edgard levanta-se novamente)
EDGARD - Mas, senhor!
WERNECK (irritado)
- Se senta,
rapaz. Mania chata essa de ficar se levantando. A separação de bens não vai te
fazer muita diferença, vai ganhar a mesma coisa.
D. LÍGIA (revoltada)
- Heitor, você não está comprando um genro! Não
admito que você faça isso com a sua filha caçula. Casamento é outra coisa. É um
sacramento.
WERNECK (com
humor) - Lígia,
por favor, não venha atrapalhar. Seja elegante, oras.
D. LÍGIA - Não sou elegante.
2º GRÃ-FINO - A mulher pode ser elegante, D.
Lígia, enquanto o homem não. O homem tem que ser macho!
WERNECK - Isso mesmo, Alfredinho! O homem
tem que ser macho! A mulher tem que ser elegante!
D. LÍGIA
(aborrecida) - Continue assim e eu me retiro!
WERNECK (divertindo-se
com a situação) - Ora, retire-se então!
D. LÍGIA (para
os outros) - Meu marido é bom homem.
WERNECK - Tu me considera um vadio.
D. LÍGIA (ofendida)
- Nunca disse isso,
Heitor!
WERNECK - Você vive dizendo que eu ronco,
que eu isso e que eu aquilo.
D. LÍGIA
(desesperada) - Eu vou lá pra dentro. Com
licença.
(Sai d. Lígia. pára um momento na
porta. Volta-se como se fosse xingar o marido.)
D. LÍGIA (abatida)
- Você é bom
homem, Heitor.
(Werneck fica pensativo e os
outros homens se entreolham enquanto Lígia sai da sala)
WERNECK - Essa minha vida está um caso
sério!
(Werneck vira-se para Edgard)
WERNECK - E você? Quase não fala. Você
sempre fala pouco por pouco, me deixa chateado. Fala, rapaz!
(Edgard põe-se de pé com firmeza)
EDGARD - Falarei, sim!
WERNECK (exasperado)
- Diga, mas
sente-se.
EDGARD (aborrecido)
- Não
me sentarei mais. Escuta aqui. E você também, Peixoto. (para Werneck) Você não é doutor! E não irei me casar com sua
filha! Eu saio do emprego, se for necessário. Pode ficar com a minha
estabilidade, não ligo. E outra coisa, sou ex-faxineiro sim. Dois mil paus é
muito dinheiro, sim. Mas não vou me vender, Dr. Werneck. O senhor é um vadio!
Um vadio!
Cenografia
A cena original em que essa adaptação é baseada
acontece na sala de Dr. Werneck. A rubrica cênica que indica o início da cena
original é:
Primeiro
ato, cena VI:
(Passagem
de cena. Sala do Dr. Werneck. Ele, exuberante, barrigudo, está enchendo um
copo. Presentes também o Dr. Peixoto e a esposa do velho, d. Lígia. Edgard aparece por fim.
Senta-se.)
(...)
A cenografia da adaptação do trecho
será composta por um sofá e duas cadeiras, uma de cada lado do sofá. Atrás do
sofá, um bar com algumas opções de bebidas e copos. Logo a frente do sofá, uma pequena
mesa para que apoiem as bebidas caso necessário.
Espaço
dramático
O espaço dramático do projeto de
cena será a sala do palácio de Dr. Werneck. Um sofá, duas cadeiras, uma mesinha
e um bar são os móveis responsáveis pela ambientação da sala.
Espaço cênico
O espaço dramático será montado
na sala da banda do IFRN, no caso o espaço cênico, onde os espectadores ficaram
na sua área designada a fim de não interagir diretamente com os atores.
Iluminação
A iluminação será constante e não
mudará durante todo o projeto de cena. Ela será iniciada quando os atores já
estiverem em suas posições.
Sonoplastia
A sonoplastia será constante e não
mudará durante todo o projeto de cena. Será uma música dos anos 60 ao fundo, a
fim de não só não atrapalhar o desenvolvimento da cena para os atores, mas
também adicionar à composição aos olhos do espectador. Junto à música, os
atores serão responsáveis por realizar alguns ruídos, como tapas e suspiros.

