terça-feira, 2 de dezembro de 2014



Projeto de Cena

(Plateia sem iluminação. Um sofá de dois lugares e algumas cadeiras plásticas espalhadas pelo centro do palco que está totalmente iluminado.)
Sem utilização de recursos de sonoplastia. 
Espaço Dramático: Sala da casa de Zulmira
Espaço Cênico: Sala da banda. Público na Plateia. Cena no Palco.
Personagens -> Cunhado 1 ( Felipe Rocha ); Cunhado 2 ( Lucas Loureiro ); Tuninho ( Bruno Leonardo ); Sogro ( Rafael Germano ); Zumira ( Letícia Nunes )

(Entram os parentes de Zulmira. Esta afasta-se e vai ler o jornal numa extremidade da cena e Tuninho sobe na cadeira. Círculo de parentes em torno da cadeira.)

TUNINHO - O senhor é meu sogro, a senhora, minha sogra... E vocês, meus cunhados...

CUNHADO 1 - Claro!

TUNINHO - Pois é. Eu pergunto: estarei errado?

SOGRO - Enfim!...

TUNINHO - Por exemplo, sabem qual é a mais recente mania de minha mulher? É a seguinte: digamos que eu a queira beijar na boca. Ela, então, me oferece a face.

SOGRO - Virgem Maria!

TUNINHO - Afinal de contas, eu sou o marido. E se eu, por acaso, insisto, que faz minha mulher? Fecha a boca!

CUNHADO 2 - Muito curioso!

TUNINHO - Mas como? - perguntei eu a minha mulher - você tem nojo de seu marido? Zulmira rasgou o jogo e disse assim mesmo: “Tuninho, se você me beijar na boca, eu vomito,tuninho, vomito!”

SOGRO - Ora veja!

CUNHADO 2 - (de óculos e livro debaixo do braço) - Caso de psicanálise!

CUNHADO 1 - De quê?

CUNHADO 2 - Psicanálise.

CUNHADO 1 (feroz e polêmico) - Freud era um vigarista!

(Sai Tuninho. Zulmira abandona o jornal. Sobe, ajudada pelos irmãos, na cadeira. A família a cerca. Os parentes estão enfáticos.)

PAI - Mas oh minha filha! oh! O marido tem seus direitos! Onde se viu negar amor ao marido? Lembre que você se casou porque quis!

(Zulmira desespera-se, em cima da cadeira.)


ZULMIRA (clamando) - Tudo menos beijo! Beijo, não! (baixo e grave) Eu admito tudo em amor. Mas esse negócio de misturar saliva, com saliva, não! Não topo! Nunca!

(Zulmira baixa a cabeça.)

ZULMIRA - Nenhuma mulher devia pertencer a homem nenhum!

PAI - Nem ao marido?

ZULMIRA (incisiva) - Nem ao marido!

PAI (patética) - Minha filha, nem oito, nem oitenta!

ZULMIRA (doce) - Se perguntarem se eu sempre fui teofilista, diz que sim, papai, diz que sim!

Categoria: