Projeto de
Cena
(Plateia sem iluminação. Um sofá de dois
lugares e algumas cadeiras plásticas espalhadas pelo centro do palco que está
totalmente iluminado.)
Sem utilização de recursos de
sonoplastia.
Espaço Dramático: Sala da casa de Zulmira
Espaço Cênico: Sala da banda. Público na
Plateia. Cena no Palco.
Personagens -> Cunhado 1 ( Felipe Rocha
); Cunhado 2 ( Lucas Loureiro ); Tuninho ( Bruno Leonardo ); Sogro ( Rafael
Germano ); Zumira ( Letícia Nunes )
(Entram os parentes de Zulmira.
Esta afasta-se e vai ler o jornal numa extremidade da cena e Tuninho sobe na
cadeira. Círculo de parentes em torno da cadeira.)
TUNINHO - O senhor é meu sogro, a
senhora, minha sogra... E vocês, meus cunhados...
CUNHADO 1 - Claro!
TUNINHO - Pois é. Eu pergunto:
estarei errado?
SOGRO - Enfim!...
TUNINHO - Por exemplo, sabem qual
é a mais recente mania de minha mulher? É a seguinte: digamos que eu a queira
beijar na boca. Ela, então, me oferece a face.
SOGRO - Virgem Maria!
TUNINHO - Afinal de contas, eu
sou o marido. E se eu, por acaso, insisto, que faz minha mulher? Fecha a boca!
CUNHADO 2 - Muito curioso!
TUNINHO - Mas como? - perguntei
eu a minha mulher - você tem nojo de seu marido? Zulmira rasgou o jogo e disse
assim mesmo: “Tuninho, se você me beijar na boca, eu vomito,tuninho, vomito!”
SOGRO - Ora veja!
CUNHADO 2 - (de óculos e livro
debaixo do braço) - Caso de psicanálise!
CUNHADO 1 - De quê?
CUNHADO 2 - Psicanálise.
CUNHADO 1 (feroz e polêmico) -
Freud era um vigarista!
(Sai Tuninho. Zulmira abandona o
jornal. Sobe, ajudada pelos irmãos, na cadeira. A família a cerca. Os parentes
estão enfáticos.)
PAI - Mas oh minha filha! oh! O
marido tem seus direitos! Onde se viu negar amor ao marido? Lembre que você se
casou porque quis!
(Zulmira desespera-se, em cima da
cadeira.)
ZULMIRA (clamando) - Tudo menos
beijo! Beijo, não! (baixo e grave) Eu admito tudo em amor. Mas esse negócio de
misturar saliva, com saliva, não! Não topo! Nunca!
(Zulmira baixa a cabeça.)
ZULMIRA - Nenhuma mulher devia
pertencer a homem nenhum!
PAI - Nem ao marido?
ZULMIRA (incisiva) - Nem ao
marido!
PAI (patética) - Minha filha, nem
oito, nem oitenta!
ZULMIRA (doce) - Se perguntarem
se eu sempre fui teofilista, diz que sim, papai, diz que sim!
